Especialistas e consumidores de novos produtos de nicotina, impedidos de participar da 11ª Conferência das Partes (COP11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT), estão reunidos em Genebra, Suíça, para fazer ouvir suas vozes em um evento paralelo. Em meio a críticas crescentes à postura do Secretariado da CQCT e da OMS, painéis com especialistas internacionais e representantes regionais alertam que decisões orientadas mais por ideologia do que por evidências científicas podem comprometer vidas e abalar a confiança pública em instituições de saúde.
As discussões destacam que, enquanto milhões de pessoas no mundo têm recorrido a produtos de menor risco para abandonar o tabagismo, propostas em debate na COP11 seguem na direção contrária. Delegações como as da Nova Zelândia e da Sérvia defenderam abertamente mais transparência e foco em evidências, argumentando que políticas rígidas e proibicionistas não refletem a realidade nem o conhecimento científico atual.
David Williams e Martin Cullip, da Fundação Aliança de Proteção aos Contribuintes, ressaltaram a importância do debate paralelo e da necessidade de reconstruir a confiança no processo conduzido pela CQCT. “A COP11 não está sendo aberta e transparente. Persegue uma ideia rígida e fracassada de proibição”, afirmou Williams.
A ativista canadense Maria Papaioannoy conduziu um debate sobre como a persistência de vieses ideológicos em instituições de saúde pública tem deteriorado a confiança da população. Já um painel espanhol examinou as ameaças às políticas de redução de danos em países de língua espanhola. O especialista em direitos e liberdades individuais, Juan José Cirion, chamou atenção para a situação no México, onde a proibição dos vapes, segundo ele, teria ignorado princípios constitucionais e a demanda da própria população, gerando contradições legais e sociais.
Também foram apresentados dados e reflexões sobre o impacto da desinformação na formulação de políticas. Especialistas lamentaram que autoridades de saúde continuem a desconsiderar estudos relevantes e alertaram que políticas baseadas no medo e em percepções distorcidas podem custar vidas — especialmente em um cenário global em que um bilhão de pessoas ainda fumam e oito milhões morrem anualmente.
Consumidores presentes no encontro divulgaram mensagens direcionadas ao Secretariado e às delegações da COP11, reforçando o apelo para que sejam incluídos nas decisões internacionais. “Os consumidores precisam de uma voz na COP. Eles foram deixados de fora”, afirmou Jeannie Cameron, que atuou por dez anos como conselheira da CQCT. David Williams criticou a OMS por se afastar do diálogo com quem depende diretamente de alternativas de menor risco. Juan José Cirion e o consumidor Jeffrey Zamora reiteraram que, sem ouvir consumidores e profissionais que lidam diariamente com a realidade do tabagismo, as políticas correm o risco de repetir erros que custam vidas.




