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Sem acesso na COP11, projeto de reciclagem de vape está na COP30 de forma inédita

Pela primeira vez na história das Conferências das Partes das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o tema dos dispositivos de vape, tradicionalmente associado a debates de saúde pública e, principalmente, a fortes controvérsias políticas, entrou oficialmente na programação reconhecida da 30 Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30). O evento é realizado em Belém do Pará, no Brasil, entre 10 e 21 de novembro de 2025. A inclusão ocorreu por meio do mapa global do #MutirãoCOP30, plataforma oficial destinada a registrar soluções climáticas protagonizadas por jovens, e representou uma ruptura significativa com o tratamento que o tema costuma receber em outros espaços multilaterais.

A novidade é ainda mais expressiva quando comparada ao contexto das COPs da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco (CQCT), onde o assunto não apenas é ausente, como explicitamente bloqueado. Em fevereiro de 2025, na COP10, no Panamá, e novamente agora na COP11, em Genebra, ativistas, médicos e até a imprensa não foram autorizados a ingressar como observadores, sob o argumento de que qualquer vínculo com produtos de nicotina, mesmo tecnologias de risco reduzido, seria incompatível com o Artigo 5.3 do tratado.

Também é simbólico porque ao mesmo tempo em que o evento no Brasil abre espaço para um tema que o próprio país é contra, onde as novas tecnologias são proibidas, o evento em Genebra bloqueia brasileiros de participarem dos debates, sem qualquer envolvimento do governo brasileiro para mudar esta restrição a parlamentares, representantes de produtores de tabaco e jornalistas.

O contraste entre as duas experiências é evidente. Enquanto as COPs do tabaco são conhecidas por sua postura fechada e pouca disposição para ouvir organizações voltadas à redução de danos, a COP30 representou o oposto: portas abertas para debates científicos, participação juvenil e iniciativas inovadoras voltadas a soluções climáticas concretas. Foi nesse cenário que o Circular Vape Recycle, fundado pelos ativistas argentinos Aylen Van Isseldyk e Juan Facundo Teme, encontrou espaço para apresentar sua proposta de economia circular aplicada a dispositivos eletrônicos de nicotina.

O PROJETO
O projeto, baseado em pesquisa acadêmica e ações educativas, destaca o impacto ambiental resultante do descarte indevido de dispositivos de vape, baterias e líquidos. Segundo seus autores, os danos ao solo, à água e à cadeia alimentar podem anular os benefícios individuais trazidos pelo uso de alternativas de menor risco ao cigarro convencional. A investigação interdisciplinar, que reúne bioética, sustentabilidade e redução de danos, também analisa modelos internacionais de reciclagem, como os do Reino Unido e da Suíça, e aponta que a Argentina possui capacidade para se tornar referência regional na gestão desses resíduos, especialmente graças às suas legislações vigentes sobre resíduos perigosos.

Mesmo sem presença física em Belém por motivos pessoais, o projeto permanece destacado no mapa do #MutirãoCOP30, o que garante amplificação internacional em eventos como Africa Climate Week e New York Climate Week, além de influência direta sobre pautas da Agenda 2030. Trata-se de uma conquista inédita: é o primeiro projeto da área de redução de danos do tabaco a obter visibilidade formal em uma Conferência das Partes da ONU voltada ao clima.

“Na COP da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, os Estados mantêm um controle quase absoluto sobre a agenda e a participação, o que restringe a diversidade de abordagens. Na COP30 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, os Estados estão progressivamente cedendo poder a atores não estatais (jovens, cidades, setor privado, academia), reconhecendo que uma ação climática eficaz requer ampla aliança e soluções de baixo para cima. Essa mudança de paradigma explica por que um projeto de redução de danos para o tabagismo, historicamente excluído, conseguiu encontrar em Belém do Pará um espaço legítimo de reconhecimento e colaboração”, afirmam os pesquisadores.

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