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Fiergs pode articular união das federações dos três estados do Sul para reverter tarifaço dos EUA ao tabaco

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) pode articular a união das federações industriais dos três estados do Sul para tentar reverter a taxação imposta pelos Estados Unidos (EUA) ao tabaco, o segmento gaúcho mais afetado pelo tarifaço. A entidade acredita que as três federações industriais do Sul podem atuar de forma conjunta e estratégica para pressionar por uma solução diplomática e comercial capaz de destravar as exportações, hoje fortemente prejudicadas.

O presidente da Fiergs, Cláudio Bier, afirma que a articulação regional pode aumentar o peso político das demandas do setor industrial. A estratégia já foi adotada para o setor de madeira onde as três federações estão atuando conjuntamente por meio da contratação de um profissional designado exclusivamente para este objetivo. A articulação pode ser replicada ao tabaco.

“Eu acho que é possível, sim. Nós temos que coordenar isso com as outras duas federações. O tabaco merece uma atenção especial. Noventa por cento da produção do Rio Grande do Sul é exportada, então ele só traz benefícios. É muito importante e paga um imposto altíssimo, ajudando todos os governos”, destacou.

Com o tarifaço dos EUA sobre as exportações brasileiras, o Rio Grande do Sul exportou US$ 252 milhões a menos no último quadrimestre em relação ao mesmo período do ano anterior. Só em novembro, a queda foi de 50,9%, e setembro marcou o pior desempenho, com retração de 51,1%. Entre agosto e novembro, o tabaco registrou a maior variação negativa, com -67,5%, seguido de produtos de metal (-56,8%), madeira (-49,8%), máquinas e equipamentos (-31,3%) e couro e calçados (-16,5%). Mantidas as tarifas, a projeção para as exportações da indústria de transformação gaúcha aos EUA em 2026 cai para US$ 1,1 bilhão, ante US$ 2 bilhões em um cenário sem taxação. Uma perda potencial de US$ 905,7 milhões.

COMPLEXIDADE
O tabaco é o produto gaúcho mais importado pelos americanos. Embora o mercado asiático e europeu absorva grande parte das exportações de tabaco, os Estados Unidos têm forte demanda por um tipo específico do produto, o burley, cuja realocação para outros mercados é considerada difícil. O economista-chefe da Fiergs, Giovani Baggio, explica a complexidade deste cenário. “Esse tabaco é muito importante e difícil de encaixar em outros mercados. As exportações estão travadas justamente nesse produto”.

Baggio relata que o setor tabagista esperava que o avanço das relações entre Brasil e Estados Unidos pudesse acelerar a flexibilização tarifária, o que não ocorreu. “A gente se sentiu otimista em algum momento com a aproximação entre os governos, mas as flexibilizações aconteceram apenas em produtos nos quais eles dependem da gente. Nos demais, onde conseguem outros fornecedores, não houve avanço”, afirma.

A preocupação é ainda maior nas regiões produtoras, especialmente Santa Cruz do Sul, onde o tabaco desempenha papel central na geração de renda. “É bastante preocupante pelo volume e pela importância regional. Continuamos na expectativa. O próximo passo está mais difícil, e o Brasil talvez tenha que ceder de alguma forma. Se não houver reversão, o setor vai sofrer bastante”, alerta Baggio.

No mês de novembro, as exportações de tabaco bateram os US$ 3 bilhões, o melhor resultado da década. O último resultado acima deste valor foi em 2013 quando foram exportados US$ 3,27 bilhões. A expectativa é que os negócios internacionais superem esta marca ainda em dezembro, alcançando assim o recorde histórico de 33 anos de exportação.

FOTO: Janine Niedermeyer

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