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Recuperação do solo reúne esforços de produtores e técnicos em Venâncio Aires

O Dia Mundial do Solo, celebrado em 05 de dezembro, chama atenção para a importância da preservação desse recurso essencial para a vida e para a produção de alimentos. A data reforça a necessidade de práticas que garantam a fertilidade, a proteção contra erosões, o uso sustentável da terra e a recuperação de áreas degradadas, especialmente em um ano marcado por eventos climáticos extremos no Rio Grande do Sul.

Entre as iniciativas de reconstrução do meio rural está a Operação Terra Forte, programa do Governo do Estado criado para recuperar solos degradados pelas enchentes históricas de 2024 e fortalecer a agricultura familiar. Com investimento inicial de R$ 300 milhões, provenientes do Fundo de Reconstrução do Rio Grande do Sul (Funrigs), o programa já está em andamento em diversos municípios. Em Venâncio Aires, 467 agricultores se inscreveram, e 150 famílias foram selecionadas para receber até R$ 30 mil, a fundo perdido, para ações de melhoria e proteção do solo. Outras 30 famílias ficaram na lista de suplentes.

A seleção dos beneficiários ocorreu na última semana de outubro, durante uma reunião do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural (Comder), na sede do Sindicato Rural. A definição dos contemplados seguiu critérios que buscaram garantir equilíbrio e representatividade, com prioridade para jovens e mulheres, distribuição por regiões do município e proporcionalidade entre atividades econômicas, além da consideração do tamanho das áreas, idade dos produtores e número de integrantes das famílias.

O engenheiro agrônomo e chefe do escritório local da Emater/Ascar, Vicente Fin, explica que o processo passa agora para a etapa de diagnósticos das propriedades. Depois do período de inscrições e da divulgação da lista, a semana marca o início das orientações técnicas, incluindo apresentações virtuais sobre como será realizado o diagnóstico de solo e a definição de unidades de referência, que servirão como modelo para as demais famílias. As visitas às propriedades começam nos próximos dias, e o período para elaboração dos planos de ação vai de 08 de dezembro a 12 de fevereiro. A entrega dos cartões aos beneficiários está prevista para 19 de fevereiro. Embora o cronograma seja acelerado, Fin destaca que as informações ainda estão sendo consolidadas e que as equipes devem intensificar os trabalhos à medida que o programa avança.

A análise das inscrições também levou em conta o peso de cada atividade econômica no município. A fumicultura, principal atividade agrícola local, concentrou a maior parte dos contemplados, reunindo cerca de 95 beneficiários, seguida pela produção de grãos, com aproximadamente 41 inscritos. As cadeias pecuárias também tiveram participação significativa, somando 19 produtores na pecuária de leite e 16 na pecuária de corte. Atividades como olericultura e silvicultura registraram menor presença, com 15 e 6 contemplados, respectivamente, enquanto a fruticultura apareceu de forma mais modesta, com apenas 2 participantes. Os dados levam em consideração selecionados e suplentes. Segundo Fin, todas as 467 famílias inscritas tinham motivos para participar, já que todas foram afetadas pelas enchentes e buscavam recuperar suas terras, mas o limite de vagas exigiu critérios rigorosos.

Os resultados esperados, conforme o agrônomo, são amplos e vão muito além da simples correção do solo. As ações previstas incluem implantação de curvas de nível, práticas de proteção contra erosão, rotação de culturas, adubação equilibrada, correção de pH, aplicação de micronutrientes e macronutrientes, uso de biofertilizantes e de sementes de cobertura, entre outras técnicas que contribuem para a recomposição do solo e o fortalecimento da produção agrícola. Para Fin, o trabalho é complexo e exigirá dedicação contínua, mas representa um passo essencial na reconstrução rural após as enchentes.

Neste Dia Mundial do Solo, iniciativas como a Operação Terra Forte reforçam a importância de cuidar da terra como forma de garantir produção sustentável, segurança alimentar e futuro para as famílias rurais do Rio Grande do Sul.

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