Os resultados de uma pesquisa inédita, conduzida pelo IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social, revela o impacto social do Programa de Aprendizagem Profissional Rural do Instituto Crescer Legal. O estudo foi realizado em duas etapas: a primeira, quantitativa, foi divulgada em abril. Em seguida, foi realizada a segunda etapa, com análise qualitativa, feita com sete grupos focais e 21 participantes selecionados com base no potencial de coleta de dados, sendo jovens egressos e familiares.
Segundo os pesquisadores, chama atenção a robustez da metodologia do programa e a sustentabilidade temporal do impacto percebido pelos participantes, considerando que alguns dos entrevistados já tinham passado pelo processo de formação há quase 10 anos. “É uma transformação muito duradoura e profunda, que reverbera em impactos muito tangíveis, criando uma mudança que se sustenta no longo prazo”, comenta Joana Noffs, analista de projetos do IDIS.
O gerente de Monitoramento e Avaliação do IDIS, Daniel Barretti, acrescenta que relatos sobre descobertas, aprendizados, desenvolvimento pessoal, organização e gestão foram constantes, bem como de valorização e diversificação das propriedades familiares. Também reforçou a relevância e a contribuição do Programa de Aprendizagem Profissional Rural no combate ao trabalho infantil e na promoção do desenvolvimento integral de jovens.
A avaliação revelou resultados positivos e significativos em diversas dimensões da vida dos egressos. Por exemplo, a oferta de um salário como jovem aprendiz mostrou-se um quesito importante para a adesão e permanência no programa. E isso resultou em qualificação profissional aumentada e desenvolvimento de competências protagonistas. Os relatos mostraram melhora expressiva em habilidades de comunicação, oratória, pensamento crítico e iniciativa, que persistem após a conclusão do curso e são aplicadas nas trajetórias profissionais e pessoais.
Os resultados também foram evidenciados pelo estímulo à diversificação das possibilidades de atuação profissional e à sucessão rural sustentável. Muitos jovens implementaram projetos inovadores em suas propriedades, o que, por sua vez, gera novas fontes de renda e fortalece o interesse em permanecer no meio rural. A sustentabilidade dos benefícios é elevada, com os aprendizados e as mudanças de mentalidade perdurando ao longo do tempo.
“A pesquisa mostra que, para muitos jovens, o Programa de Aprendizagem foi um divisor de águas que impulsionou em direção à qualificação e ao empreendedorismo”, comenta a gerente Nádia Fengler Solf, que acompanha a jornada de sucesso desde a fundação do Instituto. “Os resultados, tanto quantitativos quanto qualitativos, confirmam que o programa não apenas cumpre seus objetivos imediatos, mas também gera transformações duradouras na vida dos participantes, de suas famílias e de suas comunidades”, acrescenta.
Veja alguns dados de impacto social
– Diversificação das propriedades familiares – Após a participação no Programa de Aprendizagem Profissional Rural houve diversificação em 38% das propriedades familiares, especialmente com cultivos de hortaliças, frutas e grãos.
– Sucessão rural sustentável – Cerca de 48% dos jovens aumentaram seu interesse em ser sucessor na propriedade e 49% adquiriram mais interesse em permanecer no meio rural.
– Possibilidades de atuação profissional – 74% dos egressos ampliaram suas redes de parcerias e 72% passam a enxergar novas possibilidades de atuação profissional.
– Aumento da segurança financeira – 33% dos participantes relatou aumento do acesso a bens e serviços e 63% tiveram maior contribuição para a renda familiar.
– Valorização da identidade rural – 55% dos jovens passaram a valorizar mais a cultura local e 45% passaram a valorizar mais a profissão de agricultor.
– Aumento da qualificação profissional – 73% afirmaram que a qualificação recebida os ajudou a acessar novas oportunidades.
– Desenvolvimento de competências protagonistas – 71% melhoraram suas habilidades de comunicação, 65% desenvolveram o pensamento crítico, 65% se tornaram mais engajados na comunidade e 57% se tornaram mais proativos.
– Aumento do grau de escolaridade – 87% dos jovens participantes da pesquisa, que têm entre 14 e 26 anos, completaram o Ensino Médio ou ingressaram no Ensino Superior e 49% adquiriram interesse em se formar em cursos das ciências agrárias ou licenciaturas.
CRÉDITO: AI Crescer Legal




