Home / COP11 / Especialistas e consumidores criticam tentativa da COP11 de restringir o uso do termo “redução de danos”

Especialistas e consumidores criticam tentativa da COP11 de restringir o uso do termo “redução de danos”

Especialistas e consumidores reunidos em Genebra criticam a tentativa da 11 Conferência das Partes (COP11) da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) de restringir o uso do termo redução de danos. Eles acusam a COP11 de ter abandonado sua missão original de salvar vidas para adotar uma postura abertamente punitiva contra a indústria, mesmo que isso, segundo eles, custe vidas humanas.

Entre as propostas alvo de críticas está a tentativa da COP11 de restringir ou proibir que a indústria, e possivelmente até comunicadores e organizações da sociedade civil, utilize o termo “redução de danos” ao se referir a alternativas ao cigarro tradicional. A justificativa dada pelos defensores da medida é que a expressão teria sido “cooptada” pela indústria do tabaco.

Para os ativistas, essa interpretação não tem base histórica nem técnica. “A redução de danos é uma política consolidada em inúmeros campos: transporte, drogas, saúde pública, segurança no trabalho. É incompreensível que o termo seja aceito em todas as áreas, exceto quando envolve nicotina”, dizem. Eles argumentam que proibir o uso da expressão não protege consumidores, mas impede que eles recebam informações confiáveis sobre produtos que apresentam risco significativamente menor que fumar.

“É como se o objetivo fosse apagar o conceito, e, assim, impedir que o público saiba que existem alternativas menos nocivas. Isso não é saúde pública, é censura”, critica um dos entrevistados. Segundo os defensores da redução de danos, retirar essa terminologia do debate significa dificultar o acesso à informação e, na prática, manter milhões de fumantes presos ao cigarro convencional, o produto de maior risco.

Ao mesmo tempo, lembram que os novos produtos de nicotina não são uma invenção da indústria e sim inventores independentes, incluindo o chinês Hon Lik, motivado pela morte do pai em decorrência do tabagismo. Além disso, os avanços tecnológicos das primeiras gerações vieram de usuários que adaptaram lanternas em suas garagens para criar dispositivos mais eficientes. As indústrias de tabaco só se aproximaram do setor quando perceberam que os vaporizadores representavam uma ameaça ao cigarro tradicional, e ainda assim, com atraso tecnológico significativo.

Com a COP11 avançando sob críticas de fechamento, rejeição de consumidores e propostas que muitos classificam como “ideológicas”, cresce a sensação de que o encontro pode estar se afastando de seu propósito original. Para os ativistas, a luta não é por indústria, mas por vidas e por um debate mais honesto, plural e baseado em evidências.

Marcado:

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading