A deputada Silvana Covatti (PP) levará à 11ª Conferência das Partes (COP11) da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) a mensagem das mulheres produtoras de tabaco. Este é o principal objetivo da única mulher parlamentar a integrar a comitiva que acompanhará os debates do evento antitabagista de 17 a 22 de novembro, em Genebra, na Suíça.
“O campo hoje tem rosto de mulher. São elas que gerenciam propriedades, cuidam da família e ainda lideram projetos de diversificação e sustentabilidade. Na COP11, quero reforçar justamente isso: que as mulheres rurais são protagonistas do presente e do futuro da produção agrícola”, afirma.
Segundo o Censo Agropecuário de 2017, apenas 12,2% das propriedades da agricultura familiar gaúcha são chefiadas por mulheres. Apesar de parecer um número modesto, ele vem crescendo de maneira consistente. Um levantamento mais recente da Emater/RS-Ascar, realizado em 2022, aponta que em 37% das propriedades com Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP), a responsável legal é uma mulher, um avanço que revela não apenas a ampliação da representatividade, mas também a consolidação da mulher como gestora e empreendedora rural.
Enquanto secretária da Agricultura do RS, Silvana esteve ainda mais próxima da realidade das agricultoras, posição que também lhe confere protagonismo, de ser a única mulher a ocupar a liderança da pasta. “Tive o privilégio de implementar políticas e programas que fortaleceram a agricultura familiar, a sucessão rural e o papel da mulher na produção. Vi de perto o quanto a presença feminina transforma o campo com sensibilidade, responsabilidade e inovação”. Atualmente, como presidente da Frente Parlamentar pela Saúde da Mulher Rural dá continuidade a esta aproximação.
Sua presença também representa a participação feminina nos grandes debates do estado. “Ser a única mulher nessa missão é uma grande honra e também uma responsabilidade. Represento não só as mulheres do campo, que estão cada vez mais à frente das suas propriedades, mas todas as mulheres que têm coragem de participar das grandes decisões que impactam a vida das famílias gaúchas.”
Para Silvana, a participação feminina enriquece o debate. “A presença feminina traz um olhar mais sensível, humano e conciliador para o debate. E é isso que levo comigo: a certeza de que podemos, sim, unir produtividade, sustentabilidade e respeito às pessoas. A mulher tem um papel fundamental na transformação da política e do campo e quero continuar sendo essa voz ativa onde quer que eu esteja”, avalia.
SEGUNDA VEZ
Esta será a segunda vez que a deputada participa da COP, sendo a primeira no ano passado, durante a COP10, no Panamá, também como única mulher. “Confesso que saí de lá com sentimentos mistos. Foi muito importante estar presente, conhecer de perto como ocorrem as discussões, mas também foi frustrante ver a falta de acesso e de escuta com as delegações que representam os produtores. O Brasil é o segundo maior exportador de tabaco do mundo e o Rio Grande do Sul é o coração dessa cadeia. Portanto, é inaceitável que lideranças políticas, entidades e o próprio setor produtivo não possam participar dos debates que definem o futuro de milhares de famílias. A avaliação é clara: precisamos de mais transparência e diálogo para que o controle do tabagismo não se transforme em perseguição ao produtor”.
ACESSO
Mesmo sem acesso garantido às plenárias, Silvana acredita que a presença da comitiva tem um valor simbólico e político muito forte. “Estar lá é mostrar que os nossos produtores não estão sozinhos. É também acompanhar de perto as decisões e pressionar por uma postura equilibrada do governo brasileiro nas negociações. O nosso papel é defender quem trabalha de forma legal, sustentável e responsável e que depende dessa cultura para viver. É dever do Parlamento garantir que as políticas públicas considerem o impacto social e econômico em regiões inteiras que dependem da fumicultura”, conclui.




