As exportações de Venâncio Aires para os Estados Unidos sofreram forte retração em 2025, refletindo os efeitos do tarifaço imposto pelo governo norte-americano ao Brasil. No acumulado de janeiro a setembro, o município exportou US$ 55,7 milhões, contra US$ 93,5 milhões no mesmo período de 2024, uma queda de 40,4%. As tarifas extras para negócios com o Brasil passaram a valer em agosto.
O volume embarcado também diminuiu de 13,6 mil toneladas para 9,6 mil toneladas, o que representa redução de cerca de 30%. Trata-se do menor resultado para o período desde 2020, quando o total exportado foi de US$ 39,3 milhões, em meio à crise global causada pela pandemia.
Os números reforçam o impacto das novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros, especialmente aqueles de origem agrícola e industrial, como o tabaco, principal item da pauta de exportações venâncio-airense. Com a perda de competitividade frente a países como Argentina e México, o setor vem registrando cancelamentos e postergações de embarques desde agosto, quando as medidas passaram a vigorar.
Apesar da retração recente, os Estados Unidos continuam sendo um dos principais destinos das exportações locais. Dados históricos mostram que, entre 2010 e 2025 (considerando o período de janeiro a setembro), os embarques anuais oscilaram entre US$ 25,5 milhões (2021) e US$ 109,4 milhões (2012), refletindo as variações de demanda, câmbio e políticas comerciais.
O pico da série ocorreu em 2012 e 2013, com valores superiores a US$ 100 milhões, impulsionados pelo desempenho do complexo fumageiro. Desde então, o comércio bilateral tem alternado fases de crescimento e retração, mas a queda de 2025 se destaca como uma das mais acentuadas da última década e meia.
Empresas exportadoras de Venâncio Aires relatam incerteza em relação aos próximos meses e buscam novos mercados para compensar as perdas no mercado norte-americano. Há expectativa de diversificação de destinos na Ásia e no Oriente Médio, enquanto o setor acompanha de perto as tratativas diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos para revisão das tarifas.




