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Tabaco garante renda e preservação de florestas em pequenas propriedades do Sul do Brasil

A produção de tabaco no Sul do Brasil segue sendo um dos pilares da economia das pequenas propriedades rurais, mas seu papel vai além da geração de renda: também contribui para a preservação de matas nativas e o uso responsável de florestas reflorestadas.

Um diagnóstico socioeconômico da safra 2024/2025, feito pela Afubra, evidencia esse equilíbrio. Em média, no último ciclo produtivo, o tabaco respondeu por mais de R$ 142 mil em receitas, consolidando-se como a principal fonte de renda agrícola das propriedades. No entanto, a destinação da área para múltiplas atividades demonstra a diversidade do sistema produtivo e a relevância da preservação ambiental.

Além das lavouras de milho, soja, feijão, arroz e frutíferas, as florestas ocupam papel central no uso do solo. A mata nativa representa em média 2,1 hectares, o que corresponde a 14,7% da área total. Já a mata reflorestada ocupa 1,2 hectares, equivalente a 8% da propriedade média com cultivo de tabaco, que soma 14,6 hectares totais. Juntas, essas áreas chegam a 22,7% da extensão total, um índice superior ao destinado a pastagens, que representam 17,1%, e próximo a um quarto de toda a área disponível. O reflorestamento é utilizado principalmente como fonte de lenha para a cura do tabaco, enquanto a mata nativa permanece preservada em conformidade com a legislação ambiental.

REALIDADE
Os números refletem uma tendência maior. Em 2024/2025, o Sul do Brasil contabilizou 138.020 famílias produtoras de tabaco. A grande maioria (66,8%) cultiva em áreas de até 10 hectares, sendo 28% em propriedades com menos de 1 hectare e 38,8% entre 1 e 10 hectares. Já 21,7% possuem de 11 a 20 hectares, faixa em que se enquadra a propriedade-modelo, enquanto apenas 11,5% têm áreas acima de 21 hectares.

Esse recorte evidencia que, mesmo em propriedades pequenas como a maior parte, é possível manter equilíbrio entre renda, diversificação agrícola e preservação ambiental.

SUSTENTABILIDADE
De acordo com levantamento do Cepa/UFRGS, 133 mil propriedades produtoras de tabaco mantêm em média 31,1% da área coberta por florestas, sendo 19,8% de mata nativa e 11,3% de florestas energéticas cultivadas, principalmente de eucaliptos.

O incentivo ao uso de espécies exóticas para a produção de lenha, iniciado na década de 1970, contribui diretamente para a preservação da vegetação nativa. O setor adota a política de zero desmatamento e zero uso de lenha nativa, monitorando propriedades e fornecendo mudas para plantios florestais.
Além da proteção das matas, práticas conservacionistas no solo também ganham espaço: 74% dos fumicultores aplicam técnicas como plantio em camalhões com cobertura vegetal. Em parceria com a Embrapa, o projeto “Solo Protegido”, lançado em 2025, busca diagnosticar propriedades, propor intervenções e monitorar indicadores de conservação.

“O setor do tabaco mostra que é possível conciliar produção, sustentabilidade e geração de renda no campo”, resume Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco.

Atualmente, 60 projetos ambientais estão em andamento na região Sul, com foco na preservação de florestas, água e solo, reforçando que a fumicultura mantém um papel estratégico na proteção ambiental e no desenvolvimento das comunidades rurais.

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