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Brasil deve retomar liderança em redução de danos e COP do Tabaco perde relevância ao ignorar alternativas, afirma ex-OMS

A atual postura do Brasil e da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco de ignorar a redução de danos é criticada pelo ex-chefe do controle do Tabaco da Organização Mundial da Saúde (OMS), Derek Yach. Voz importante no controle do tabaco, o especialista atuou na formação no tratado antitabagista cujas futuras ações serão deliberadas neste ano durante a 11ª Conferência das Partes (COP11) em novembro, na Suíça.

Em entrevista ao Olá Jornal, em Varsóvia na Polônia, durante o 12º Fórum Global de Nicotina (GFN), ele afirmou que o tratado antitabagista perde relevância por não conseguir reduzir o número de fumantes, porque não reconhece alternativas disponíveis em mais de 80 países.

“Eu acho que será uma reunião muito depressiva, porque a OMS perdeu muito financiamento e também perdeu muita credibilidade. Então, eu não acho que será uma reunião particularmente importante, porque a OMS está se tornando irrelevante nesta área. Eu acho que o que vamos ouvir, muito mais importante, é que apesar do que a OMS faz, nós agora temos mais de 120 milhões de pessoas no mundo usando produtos de redução de danos ao tabaco. Nós temos a indústria agora começando a receber quase metade do seu rendimento de redução de danos e não mais de cigarros. Esse é um verdadeiro progresso e espero que esse progresso continue”, avaliou.

Ele acredita que os países farão valer suas experiências exitosas no assunto durante as discussões da COP. “Eu acho que há muitos países que têm visto que a redução de danos do tabaco tem reduzido a taxa de fumantes em 50%. Por exemplo, no Japão, por causa dos produtos de tabaco aquecido. Na Suécia, na Islândia, na Noruega, por causa dos sachês de nicotina, no Reino Unido, nos EUA, em partes da Lituânia, na Grécia, tudo foi reduzido por causa do uso. Espero que esses governos falem. Eles simplesmente precisam nos dar os dados mostrando que eles são capazes de reduzir as taxas de fumantes mais rápido, com redução de danos, do que com taxas e abordagens regulatórias”.

BRASIL
Sobre a situação no Brasil, o ex-diretor da OMS recomenda que o país retome sua posição de referência em redução de danos ocupada no passado com políticas voltadas para HIV/AIDS. “Eu acho que parte da resposta no Brasil é baseada na visão histórica. Quando terminamos a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, não falávamos muito sobre redução de danos, porque não tínhamos vapes, não tínhamos sachês de nicotina, produtos de tabaco aquecido. Infelizmente, o tratado foi fechado há 20 anos. O interessante é pensar que exatamente naquela época, o Brasil também estava liderando a discussão da OMS sobre redução de danos nas drogas/AIDS. Muitos dos trabalhos de AIDS são exemplos clássicos de redução de danos. E a questão é por que eles não aplicam o que aprenderam da AIDS agora no mundo do tabaco”, questiona.

Neste sentido, avalia que como líder no controle do tabaco o país dá mau exemplo na redução de danos. “As pessoas esquecem que o Brasil foi um dos líderes mundiais em controle do tabaco. Quando eu estava na OMS, tive o privilégio de trabalhar com o Celso Amorim, que se tornou Ministro e assessor para o Presidente. Ele era o presidente da Convenção na época em que concordávamos que a redução de danos precisava ser parte do controle do tabaco e estava no texto. Infelizmente, antes de você ter as filantropias de Bloomberg investindo muito dinheiro no Brasil, e da minha boa amiga Vera Costa Silva não querendo olhar para a ciência e a evidência do benefício, com um profundo ódio e desconfiança da indústria. E isso tudo combinado para colocar em lugar políticas que vão danificar a saúde dos brasileiros e não melhorá-la. E por ser um dos líderes mundiais em controle do tabaco, eles estão mostrando um dos piores exemplos do que pode ser ruim para a saúde das pessoas”, declara Yach.

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