As exportações de Venâncio Aires para os Estados Unidos registraram uma queda significativa no primeiro semestre de 2025. Os negócios somaram US$ 35,9 milhões, com o embarque de 5,4 mil toneladas, o que representa uma retração de 42,8% em valor e 42,5% em volume em relação ao mesmo período de 2024, quando foram exportados US$ 62,8 milhões e 9,4 mil toneladas.
A redução afeta especialmente o principal produto da pauta venâncio-airense: o tabaco e seus produtos manufaturados, que movimentou US$ 34,8 milhões e respondeu por 5,34 mil toneladas no primeiro semestre de 2025 — contra US$ 60,89 milhões e 9,06 mil toneladas no mesmo período do ano anterior. A queda de 42,8% acompanha a tendência geral do comércio com os Estados Unidos, historicamente um dos principais destinos das exportações do município.
A crise se intensificou nesta quarta-feira, 09, com o anúncio do presidente Donald Trump sobre a imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump justificou a medida como resposta ao tratamento dado pelo governo brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro e às recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas de tecnologia norte-americanas. Ainda em abril a Casa Branca impôs tarifas extras de 10% para produtos brasileiros. A medida já trouxe impactos para os negócios do país com as empresas dos Estados Unidos.
Em contrapartida, o governo brasileiro informou que irá aplicar a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada neste ano, que autoriza a imposição de tarifas equivalentes sobre produtos de países que impuseram barreiras comerciais ao Brasil. A legislação também permite suspender concessões relacionadas a direitos de propriedade intelectual, o que pode ampliar os efeitos da disputa entre os dois países.
Apesar da liderança absoluta do tabaco, Venâncio Aires também exportou outros produtos aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025, embora em volumes e valores significativamente menores. Entre os destaques estão caldeiras e aparelhos para aquecimento, com US$ 890 mil exportados em 209 toneladas; preparações alimentícias diversas, que somaram US$ 74,3 mil e 5 toneladas; sementes, frutos oleaginosos e plantas medicinais, com US$ 59,7 mil e 1,7 tonelada; e móveis, almofadas, placas indicadoras e aparelhos de iluminação, que totalizaram US$ 26,7 mil em 10,3 toneladas embarcadas.
O conjunto desses produtos representa apenas uma fração das exportações totais, reforçando a forte dependência do município em relação ao setor fumageiro — justamente o mais exposto às novas barreiras comerciais impostas pelo governo norte-americano.
Apesar da retração, os Estados Unidos permaneceram como o terceiro principal destino das exportações venâncio-airenses no primeiro semestre de 2025, atrás apenas de China e Bélgica. De acordo com os dados oficiais (Comex) a China liderou com US$ 234,2 milhões, seguida pela Bélgica com US$ 63,4 milhões. Após os EUA, completam a lista dos cinco principais destinos Indonésia, com US$ 24,5 milhões, e Paraguai, com US$ 21,7 milhões.
Com a escalada da tensão entre as duas maiores economias das Américas, cresce o temor de que uma guerra tarifária prolongada possa afetar ainda mais o desempenho de cidades exportadoras como Venâncio Aires. Empresários locais já avaliam medidas para minimizar os impactos e reforçam a necessidade de diálogo diplomático para garantir estabilidade ao setor.
SAÍDA DIPLOMÁTICA
Para o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, o momento exige responsabilidade e equilíbrio. “A taxação cria uma situação bastante complexa, mas acreditamos no diálogo e em uma saída diplomática, porque ninguém está ganhando com isso — nem os Estados Unidos, nem o Brasil”, afirma.
Segundo ele, no início de 2025, o tabaco brasileiro pagava uma tarifa média de US$ 0,375 por quilo para entrar nos EUA. Esse valor foi acrescido em 10% em abril, no primeiro anúncio feito pelo presidente Donald Trump. Agora, com o adicional de 50%, a competitividade do produto brasileiro no mercado norte-americano fica ameaçada.
“Se mantida, possivelmente, o Brasil não será mais competitivo para o mercado norte-americano. Agora, se olharmos por outra ótica, há uma demanda mundial muito grande de tabaco, e é muito provável que o produto seja remanejado para outros destinos”, ressalta Thesing.
FOTO: Fernando Cavalcanti/ Divulgação/GovBR




