Home / Saúde / Municípios da região pressionam Ministério da Saúde para destravar fila por cirurgias

Municípios da região pressionam Ministério da Saúde para destravar fila por cirurgias

 Os 21 municípios integrantes dos Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Rio Pardo (Cisvale) e Consórcio Intermunicipal Jacuí (Cijacuí) apresentaram nesta quinta-feira, 10, ao Ministério da Saúde, a solicitação de correção do pagamento para os serviços médicos de Alta Complexidade em ambas as regiões. O pedido, formalizado em reunião no gabinete da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (Saes), inclui ainda a solicitação de recursos extras para dar conta da fila de espera por cirurgias eletivas. A lista, atualizada pelo Cisvale conta agora com 1.350 pacientes e um total estimado de R$ 16 milhões em recursos de participação para a realização destes procedimentos.

Conforme os ofícios entregues pelos municípios de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires, referência nas áreas de traumatologia dos 21 municípios, a complementação anual de recursos para a área gira na casa dos R$ 12,8 milhões. Deste total, R$ 8.606.222,81 dizem respeito ao atendimento hospitalar que envolve a referência do Hospital Santa Cruz para os municípios. Já Venâncio Aires, que também cumpre papel regional relevante, pleiteia R$ 4,2 milhões anuais, além de uma complementação de R$ 350 mil mensais. Segundo o município, os investimentos próprios na atenção básica estão sendo comprometidos para suprir a alta demanda por internações, exames e cirurgias.

A pauta foi conduzida pelo presidente do Cisvale, Gilson Becker, com respaldo técnico da diretora executiva Léa Vargas, com apoio dos prefeitos, representantes do Cijacuí e pelo secretário Municipal de Saúde de Santa Cruz do Sul, Rodrigo Rabuske, município que tem a gestão plena da saúde, responsável pela contratualização dos hospitais. A articulação busca garantir que os recursos federais acompanhem a complexidade e o volume dos atendimentos prestados. Com a recomposição, os consórcios esperam restabelecer o equilíbrio financeiro da rede e avançar na realização de cirurgias eletivas, represadas por falta de financiamento. Conforme o presidente do Cisvale, Gilson Becker, a agenda sinaliza a necessidade de unidade entre as regiões para a resolução dos problemas comuns na área da saúde. Quanto à pauta, e a promessa de análise por parte do governo federal, Becker reiterou que a região seguirá mobilizada em busca de alternativas junto aos governos federal e estadual. “O próximo passo agora será aguardar a manifestação técnica do Ministério da Saúde e também agendar, junto ao Governo do Estado, um encontro com prefeitos e gestores da saúde, para avançarmos neste pleito das duas regiões”, destaca.

Espera dura oito anos

O levantamento técnico realizado pelo Cisvale revelou a existência de 1.350 pacientes aguardando por cirurgias eletivas na especialidade de ortopedia e traumatologia, com espera de até oito anos. Os procedimentos incluem cirurgias de coluna, colocação e revisão de próteses de joelho e quadril e englobam a população dos 21 municípios vinculados aos dois consórcios.

Conforme a diretora executiva do Cisvale, Léa Vargas, atualmente, parte dos recursos disponíveis para alta e média complexidade é absorvida por atendimentos de urgência, como acidentes e quedas domésticas, o que impede o avanço da fila. “A depuração da lista de espera envolveu o cruzamento de dados, exclusão de pacientes já atendidos, que mudaram de cidade, não responderam aos contatos ou foram a óbito por outras razões. Com isso, 70 pacientes foram retirados, resultando em uma fila precisa e pronta para ser atendida, desde que haja disponibilidade de recursos”, revela.

Com base na necessidade média de complementação, cujo custo médio apurado é de R$ 12 mil, e levando em conta a quantidade real de pacientes agora elencada na nova lista, seria necessário R$ 16 milhões para esta complementação. “Além disso é necessário lembrar do valor das próteses, e ainda da parte que cabe ao Sistema Único de Saúde (SUS), que eleva ainda mais o custo necessário para o cumprimento desta demanda”, pondera o presidente Gilson Becker.

Demanda pode entrar no orçamento de 2026

Conforme o assessor da direção da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde (Saes), Adalberto Fulgêncio, o Governo Federal está comprometido com o Rio Grande do Sul, muito por conta da situação do pós-enchente e a calamidade vivida. “A gente vai fazer um trabalho interno para atender esta demanda e expectativa. Em outra frente, faremos um contato com os deputados da bancada gaúcha para implementar recursos para atender a demanda da saúde que os senhores nos trazem aqui, ressalta Fulgêncio.

Conforme o assessor, é possível trabalhar o reajuste do teto, pois há muitos pedidos junto ao governo. O que depõe a favor da região, é o fato de os consórcios terem tomado frente na solicitação. Ainda segundo Fulgêncio, os levantamentos encaminhados pela região somam R$ 36 milhões a mais ano. “Podemos criar uma portaria temporária, aumentando o teto de Santa Cruz do Sul até dezembro, desde que, a área técnica do Ministério da
Saúde aponte a viabilidade por parecer. Após, o Ministério da Saúde engloba este valor no orçamento de 2026”, explica.

Estudo técnico

O Ministério da Saúde, por meio do Departamento de Auditoria, Assistência e Controle, irá elaborar um estudo técnico para viabilizar as demandas apresentadas pelas regiões em Brasília. Um dos caminhos possíveis apontados ainda na audiência prevê a adesão da região ao programa Mais Especialistas, que está em fase de implementação e pode ajudar na composição de recursos para a saúde regional. A equipe técnica do Ministério da Saúde deve elaborar os estudos e as formas de financiamento, tanto para liberação de recursos ainda em 2025, quanto para ampliação do teto da média e alta média complexidade.

CRÉDITO: AI CISVALE

FOTOS: RODRIGO NASCIMENTO/NASCIMENTO MKT

Marcado:

Descubra mais sobre

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading