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Brasileiros participam do Fórum Global de Nicotina na Polônia

O Fórum Global de Nicotina (GFN) teve pela primeira vez a participação de brasileiros na edição deste ano. A toxicologista Ingrid Taricano e o consumidor e presidente da THR Brasil Miguel Okumura estiveram no evento que ocorreu de 18 a 21 de junho em Varsóvia, Polônia. A programação reuniu mais de 40 especialistas internacionais que discutiram o tema ‘Desafiando percepções – comunicação eficaz para a redução de danos do tabaco’.

Miguel esteve na grade principal da conferência no painel “Desafiando Percepções – Comunicação Eficaz para a Redução de Danos do Tabaco”, onde foram debatidas questões como cientistas e usuários podem superar obstáculos e censura ao comunicar os princípios da redução de danos ao público em geral e aos órgãos reguladores e quais estratégias poderiam aprimorar a comunicação eficaz e compreensível. Juntamente com mais seis consumidores e ativistas puderam expôr seus pontos de vista e suas experiências.

Para ele foi importante poder levar a situação do Brasil que hoje proíbe a comercialização e fabricação destes produtos. “A experiência do Brasil é bastante única, porque o Brasil é um exemplo de redução de danos em diversas áreas, como no HIV, como em drogas de abuso, drogas consideradas ilícitas. Mas esse papo é inexistente quando a gente fala de redução de danos do tabagismo”, explica.

O presidente da THR Brasil afirma que o tema merece atenção das autoridades que precisam compreender a redução de danos. “A Anvisa é considerada uma joia, não só no Brasil, mas também no mundo. E isso parece uma contradição. Uma contradição não só da Anvisa, mas uma contradição a nível de Estado mesmo. De por que a gente está deixando tantas pessoas adoecerem e por que a gente não considera a redução de danos do tabagismo com a urgência que ela é necessária?”

O cenário brasileiro dificulta a compreensão do assunto uma vez que a proibição tem levado a um entendimento subjetivo do tema. “A gente entendeu nesse meio de caminho que precisamos fazer mais, que a gente precisa começar a falar com outros setores da sociedade. A desinformação no Brasil é absurda. Segundo um levantamento feito pela Ipsos, encomendado pela We Are Innovation, a desinformação no Brasil é em níveis de 90%”, declara.

REGULAÇÃO
A toxicologista, Ingrid Taricano, participou na sessão da América Latina que antecedeu a conferência principal, onde os integrantes falaram sobre a situação regulatória de cada país. “Foi muito importante essa participação porque nunca tivemos a oportunidade de contar para o mundo, num evento global, o que acontece no Brasil. Coloquei com clareza que no Brasil é proibido fabricar, é proibido vender, mas não é proibido usar. E me perguntaram, inclusive, com relação ao mercado negro e o uso indevido por jovens e crianças. Infelizmente, tive que falar a posição do Brasil, que é realmente essa. Apesar de não se poder fabricar, não se poder vender, não é proibido usar. E estamos a cada dia vendo jovens utilizando cada vez mais, inclusive dentro das escolas. Este foi um assunto bastante discutido”.

Na oportunidade, Ingrid anunciou a criação da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia para Redução de Danos, com foco em alimentos multiprocessados, HIV e doenças sexualmente transmissíveis, álcool, drogas ilícitas e tabaco. “A entidade cuidará do tema com uma visão científica, inclusive tomamos conhecimento de vários dados novos, bastante recentes, europeus, que amparam a ideia de que a regulamentação é cuidado,” conclui.

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