
O Olá Jornal estará em Varsóvia, na Polônia, para a cobertura da 12ª edição do Fórum Global sobre Nicotina (GFN), um dos principais encontros internacionais sobre ciência, inovação e políticas relacionadas ao consumo de nicotina no mundo. O evento ocorre entre os dias 18 e 21 de junho, reunindo especialistas, pesquisadores e formuladores de políticas de diversos países.
Quem acompanha a programação de perto é a jornalista Janine Niedermeyer, que já esteve presente na edição de 2024 e volta a participar do evento trazendo informações exclusivas para os leitores do jornal.
Com o tema “Desafiando percepções – comunicação eficaz para a redução de danos do tabaco”, o Fórum vai debater estratégias para superar as barreiras na comunicação sobre alternativas mais seguras ao cigarro tradicional. A ideia central é discutir formas de levar informações claras e corretas tanto para formuladores de políticas públicas quanto para consumidores que desejam reduzir os danos causados pelo tabagismo.
Desde o início dos anos 2000, a tecnologia trouxe novas alternativas à disposição de quem faz uso de nicotina, como vapes, produtos de tabaco aquecido, sachês e snus pasteurizados (um tipo de tabaco oral). O tema também tem relação direta com a economia gaúcha. O tabaco é o segundo produto de exportação do Rio Grande do Sul, e as mudanças no consumo global podem impactar o setor em nível local nos próximos anos.
Para a diretora de conferências do GFN, Jessica Harding, o foco deste ano marca um momento decisivo no avanço da estratégia global de redução de danos. Ela destaca que, apesar dos avanços científicos e tecnológicos, ainda há muito desconhecimento e resistência sobre o tema.
“Já se passaram 25 anos desde o início da estratégia de redução de danos para o uso de tabaco,” explica. “Milhões de pessoas já adotaram produtos mais seguros para parar de fumar, mas o progresso tem sido dolorosamente lento. Um dos principais motivos é a falta de comunicação eficaz — tanto com os formuladores de políticas públicas quanto com o público em geral.”
Jessica reforça que a desinformação é uma das grandes barreiras. “Estamos enfrentando um desafio importante: mesmo com a ciência cada vez mais clara sobre os benefícios das alternativas menos nocivas, muitos fumantes ainda não sabem que essas opções existem ou acreditam, erroneamente, que elas são tão perigosas quanto o cigarro convencional.”
Outro ponto abordado por Jessica é o crescimento da desinformação, muitas vezes reforçada por narrativas equivocadas. “De onde vêm esses mal-entendidos? Quem os alimenta? São essas as perguntas que queremos debater neste ano. Mesmo com o crescimento da base de evidências científicas a favor da redução de danos, vemos a opinião pública piorando em relação ao tema, e isso precisa mudar,” conclui.
Apesar do Brasil manter a proibição para os novos dispositivos para fumar, a partir de determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda em 2009, mais de 80 países já contam com regulamentação sobre o uso destes produtos. As medidas são atualizadas de forma constante. Em território brasileiro o assunto também pode voltar ao debate, já que o Senado e a Câmara Federal contam com projetos de lei sobre a regulamentação em tramitação.




