O município de Venâncio Aires, no Rio Grande do Sul, registrou um aumento expressivo nas áreas desmatadas em 2024, segundo dados do sistema Mapbiomas. O volume de desmatamento saltou de 3,67 hectares em 2023 para 14,4 hectares em 2024 — um crescimento de 292% e o maior número da série histórica iniciada em 2019. Percentual de aumento no último ano é maior do que o registrado em todo o Rio Grande do Sul.
Especialistas apontam que o aumento está diretamente ligado aos efeitos das enchentes que atingiram a região em maio de 2024. O desastre natural não apenas danificou a cobertura vegetal como também acelerou processos de remoção de áreas florestais, sobretudo na Mata Atlântica, bioma predominante na região. Além disso, na região serrana de Venâncio Aires foram registrados deslizamentos de terra, afetando também áreas de matas.
A série histórica mostra variações significativas ao longo dos anos. Em 2020, foram desmatados apenas 0,57 hectares. No ano seguinte, esse número saltou para 7,03 hectares, representando um aumento de 1133%.
Já em 2022, houve uma redução considerável, com 2,36 hectares desmatados (-66% em relação a 2021). Em 2023, o índice voltou a crescer, chegando a 3,67 hectares (+55%). No entanto, foi em 2024 que o salto foi mais expressivo, impulsionado por alagamentos, deslizamentos e a enchente que afetou encostas no rio Taquari.
Ambientalistas alertam para a necessidade de políticas públicas de recuperação e preservação ambiental.
Eles destacam que o impacto das mudanças climáticas, combinado com a fragilidade do solo e da vegetação após eventos extremos como as enchentes, pode acelerar ainda mais o processo de degradação se não houver ação imediata.
RIO GRANDE DO SUL
O desmatamento no Rio Grande do Sul voltou a crescer de forma expressiva em 2024, atingindo 3.998,58 hectares, segundo dados do sistema MapBiomas. O número representa um aumento de 70,6% em relação ao ano anterior, quando haviam sido registrados 2.343,24 hectares de vegetação nativa suprimida. O estado viveu um ciclo de crescimento contínuo do desmatamento entre 2019 e 2022. Em 2019, foram desmatados 1.119,27 hectares, número que quase dobrou em 2020 (+91,9%) e continuou subindo em 2021 (+74,5%) e 2022 (+39,2%), quando o índice chegou ao pico de 5.218,18 hectares.
No entanto, em 2023 houve uma queda acentuada de 55,1%, possivelmente refletindo ações de controle ambiental ou efeitos de eventos climáticos extremos. O novo aumento em 2024 reacende o alerta entre ambientalistas, que relacionam o avanço à instabilidade climática, especialmente às enchentes de maio daquele ano.
As chuvas intensas podem ter contribuído para a degradação de áreas naturais e levado a novos processos de ocupação e uso do solo. A reversão da tendência de queda sugere que as medidas de contenção adotadas até 2023 podem ter sido insuficientes ou descontinuadas. Organizações ambientais defendem o fortalecimento da fiscalização e a implementação de políticas de restauração florestal como medidas urgentes para conter os impactos da degradação ambiental no estado.




