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Impacto das enchentes na agricultura do estado deve seguir nas próximas safras

Os prejuízos causados pelas chuvas na agricultura do Rio Grande do Sul, devem se estender pelas próximas safras. Além dos prejuízos diretos causados pelas enchentes, que somam mais de R$ 2,3 bilhões (dados da CNM), algumas lavouras poderão se tornar irrecuperáveis, com os sedimentos deixados após o nível das águas baixar que podem afetar a fertilidade do solo gaúcho.

O Rio Grande do Sul é atualmente o segundo maior produtor de alimentos do país, concentra 14% da produção nacional. É o maior produtor de arroz, trigo, segundo maior produtor de soja, o terceiro maior produtor de suínos, o quarto maior de frango e de leite.

A Embrapa planeja enviar pesquisadores às áreas afetadas para fazer análises de solo e diagnosticar a situação das lavouras quando o nível das águas baixar.

Conforme o engenheiro agrônomo e doutor em Desenvolvimento Regional da Unisc, Jaime Weber, que ministra aulas sobre agrometeorologia, os impactos no solo deverão atingir a economia de forma geral. “Tem o impacto direto na produção agrícola, em grande parte de regiões produtivas, em especial na agronomia para o solo. Toda essa cor da água que a gente visualizava, às vezes as pessoas não se dão conta, mas é uma grande quantidade de solo além de todo o estrago para os cultivos. Esse impacto irá afetar a economia como um todo, inclusive nas próximas safras.”

Para o docente, a recuperação do solo em áreas degradadas exigirá investimento e longos períodos. “As enchentes afetam a agricultura como um todo no estado. Além das lavouras perdidas, e a produção que já estava nas áreas, o futuro exigirá correção e preparação melhor do solo. E hoje é pensar que em alguns lugares que se produzia, não terá nova produção” comenta.

PREJUÍZOS
A Emater/Ascar de Venâncio Aires incluiu no relatório de prejuízos financeiros na agricultura, causados pelos efeitos climáticos do início do mês, as perdas ambientais de solo, vegetação nativa e mata ciliar. Conforme o engenheiro agrônomo da entidade, Vicente Fin, com os deslizamentos de encostas ocorreram movimentos de massa de solo, afetando também propriedades rurais em áreas de morros e encostas. Além disso, a projeção é de perdas de áreas que totalizam 45,25 hectares, só com deslizamentos. Com solos perdidos, que já estavam preparados para o cultivo, a Emater estima que sejam 461,20 hectares, ocasionando prejuízos financeiros de R$ 334,3 mil.

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