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Venâncio Aires se destaca como principal produtor de suínos do Vale do Rio Pardo

Mais de 46 mil cabeças de suínos abatidas tornam o município de Venâncio Aires o principal produtor de suínos para abate do Vale do Rio Pardo. A região que produziu 80.830 animais para abate, é responsável por 0,80% da produção estadual, que foi de 9.951.769 suínos no ano de 2020, conforme aponta o levantamento realizado pela Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS).

O chefe do escritório local da Emater/Ascar, engenheiro agrônomo Vicente Fin, compara a Capital Nacional do Chimarrão com os municípios vizinhos, e frisa que o destaque de Venâncio Aires é bem visível. “Não temos dúvidas que somos o maior produtor do Vale do Rio Pardo, seguido de Mato Leitão, isso porque os outros municípios trabalham mais de forma independente e só agora que os integrados estão começando a entrar no setor”, complementa.

A primeira colocação no ranking da região vem sendo ocupada por Venâncio Aires desde 2013, quando o primeiro levantamento foi realizado pela entidade gaúcha. Neste período, houve um crescimento de 34,9% no número de suínos abatidos, passando em oito anos de 30.560 suínos abatidos para 46.866 em 2020.

Além do crescimento de animais abatidos ao longo dos últimos anos, a importância da produção suinícola para o cenário econômico do município é confirmada também através da contribuição do Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP). Só em 2020, o setor que está entre as três principais atividades agrícolas do município, arrecadou R$ 37.375.397,48, ou seja, 13,58% do valor total.

Já de forma indireta, a atividade também contribui para o melhoramento da matéria orgânica e da produção de grãos, já que os dejetos dos suínos são utilizados como fertilizantes nas propriedades circunvizinhas, explica Fin.

EM EXPANSÃO
Entre os três principais produtores de suínos do país, o Rio Grande do Sul ainda pode expandir sua participação no mercado nacional com presença da carne suína no mercado interno, analisa o presidente da ACSURS, Valdecir Luis Folador.

“Temos as plantas industriais com toda a capacidade de abate tomada. Mas todo ano crescemos em torno de 3% e 4%, a indústria acaba se adaptando, e fazendo melhorias internas para receber essa produção”, complementa.
Além de estar entre os principais produtores, o estado é um grande exportador da proteína animal. “Sempre lembrando que estamos longe dos centros consumidores. Cerca de 48% a 58% da carne suína gaúcha é vendida para outros estados do país. Isso é um desafio e acaba deixando o estado com competitividade aquém dos demais estados brasileiros, que estão próximos dos centros consumidores”.

O custo de produção comparado com estados, também é um dos desafios da produção gaúcha. Isso se dá por conta do alto custo do milho, mesmo que o Rio Grande do Sul seja produtor, a produção não é suficiente para para o rebanho. “O estado acaba perdendo competitividade, pela logística tanto de levar a carne produzida aqui, quanto para trazer matéria prima dos estados produtores de grãos para abastecer nossa demanda”, explica Folador.

Agronegócio movimenta a economia regional

Nos últimos anos foi o agronegócio que manteve os resultados positivos na economia gaúcha e brasileira, afirma a economista Cintia Agostini. As secas registradas entre 2019/2020 e 2020/2021, que causaram prejuízos no Rio Grande do Sul e na região do Vale do Rio Pardo e Taquari, afetaram a economia e refletiram no custo de produção e no preço dos alimentos. Da mesma forma que a alta do câmbio.

Apesar disso, Cíntia destaca que a diversidade de culturas auxiliou a diminuir os impactos. “Quando temos uma diversidade minimizamos o impacto, na média conseguimos ter a mesma renda, empregabilidade e o mesmo retorno. O que não acontece na monocultura em grandes latifúndios, que só uma pessoa ganha, concentra o emprego e centraliza a produção”, explica a economista.

Em Venâncio Aires, este cenário pode ser observado no tabaco, mas apesar disso, existem cadeias produtivas que possuem vários elos que permitem a participação de produtores menores e um volume maior de empregabilidade, como a suinocultura e a avicultura, que nos últimos anos vêm se desenvolvendo de forma positiva.

“A relação do processo de integração, faz com que esses produtores tenham uma rede de integração para se inserir. A diversidade da condições para que o produtor se aproprie melhor de uma renda, para que ele consiga ter um retorno pelo que ele faz e ainda dá um resultado para o município também”, destaca Cintia.

Já em relação a suinocultura, de forma mais específica, o presidente da ACSURS complementa que o setor ainda proporciona o desenvolvimento de indústrias frigoríficas, de empresas de transportes e de equipamentos frigoríficos que demandam mão de obra e geram novos empregos. “Sem dúvida alguma a suinocultura faz girar a economia de muitos setores. Além da indústria, também movimenta a economia por meio dos empregos gerados nas granjas e na área da construção civil. A cadeia suinícola tem essa versatilidade de ajudar a desenvolver a economia como um todo“, conclui.

Reportagem produzida por Bruna Gomes Stahl na disciplina de Estágio Supervisionado Univates

FOTO: Divulgação/AI EMBRAPA

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