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Cadeia Produtiva do Tabaco avalia perdas com novas restrições aos cigarros

Está em discussão no Senado um projeto de lei do senador José Serra (PSDB) em que prevê, entre outras coisas, a adoção de maços padronizados (sem marcas e design diferenciados), fim da exposição em pontos de venda, proibição dos sabores em cigarros, multa para quem fumar no trânsito com menores de idade e a eliminação de qualquer tipo de propaganda. Nesta quarta-feira, 15, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) discutiu a lei. A maior parte dos senadores que participaram das discussões já declararam apoio a proposta de José Serra (PSDB), que também defendeu a iniciativa. Porém, os representantes da cadeia produtiva destacam que os produtores, indústrias e o próprio governo sofrerão prejuízos com a lei. Isso porque, inicialmente a produção terá impacto negativo de 15%, além do aumento no comércio ilegal.

Além disso, estimativas iniciais apontam que atualmente a geração de tributos, com os cigarros, garantem ao governo R$ 19 bilhões. Porém, o mercado ilegal reduz a arrecadação, que poderia atingir os R$ 28 bilhões.
A proposta, do senador José Serra (PSDB-SP) tem caráter terminativo na CCJ e já foi aprovada nas comissões de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC) e de Assuntos Sociais (CAS). A votação na CCJ deve ocorrer até o mês de junho e segue para votação na Câmara dos Deputados.

O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Iro Schünke, falou sobre o impacto que tais medidas trariam ao mercado legal. “A aprovação do PLS não vai reduzir o tabagismo. Vai sim, ampliar ainda mais o contrabando”, falou Schünke, citando os dados do IBOPE que apontam que enquanto o mercado legal detinha 60% do mercado legal em 2015 e o ilegal 39%, em 2018 os números inverteram: o ilegal passou a abocanhar 54% do mercado e o setor legal aparece com 46%.

O diretor da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Jaime Recena, entidade que representa quase 3% do PIB nacional, falou sobre o impacto dessas medidas no varejo. “Nossos pares na Austrália, onde as medidas foram implementadas, já nos deram alguns indicativos. Segundo eles, quatro em cada dez varejistas sentiram o impacto no mercado ilegal. Além disso, relatam que aumenta o tempo de atendimento ao cliente e a insegurança do estabelecimento uma vez que aquela pessoa que fica no caixa precisa se ausentar de sua posição. O projeto apesar de ter uma nobre intenção, que é da saúde pública, não vai alcançar o resultado que se propõe”, avalia.

DEFESA
O prefeito de Venâncio Aires, Giovane Wickert, representante da Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco), que reúne 556 municípios levou um abaixo-assinado dos prefeitos contrários ao PLS 769. “Será que o projeto considerou todos os fatores? Pelas exposições feitas aqui se tem um número elevado de jovens fumantes. Mas não é crime vender para menores de 18 anos? Não é meramente uma questão de legislação e de fazer cumprir a lei?”, observou Wickert, abordando ainda números da cadeia produtiva do tabaco.
No mesmo sentido, o senador Luis Carlos Heinze (PP) afirmou que há questionamentos jurídicos sobre a lei de Serra. “Ela é duplamente inconstitucional, pois fere o livre comércio e o direito a propriedade,” ressalta.

PRESIDENTE
Em passagem por Venâncio Aires, durante a Fenachim, o deputado federal Marcelo Moraes (PTB) destacou que o projeto deve ter votos suficientes no Senado para ser aprovado. O mesmo deve ocorrer na Câmara dos Deputados. “Precisamos mostrar à Presidência da República a importância deste setor e as perdas que podem trazer uma iniciativa deste tipo. Vamos trabalhar para que se aprovada, a lei seja vetada pelo presidente,” destaca.

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