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Para Souza Cruz combate ao contrabando de tabaco precisa ser pauta prioritária no governo federal

“Se nada for feito, vamos estar entregando uma joia que o Brasil desenvolve há tanto tempo fazendo um produto de qualidade reconhecido mundialmente”. A afirmação do diretor de tabaco da Souza Cruz, Dimar Frozza, refere-se ao crescimento do contrabando de cigarros que hoje chega a 54% dos cigarros consumidos no Brasil. Destes, 50% são contrabandeados do Paraguai e o restante produzido por indústrias que operam irregularmente no País.

A análise do cenário brasileiro ocorreu durante entrevista coletiva na última quinta-feira, 28, em Santa Cruz do Sul. Para Frozza, o desequilíbrio na tributação do cigarro no Brasil levou a um crescimento, que considera absurdo, no contrabando. “As consequências a gente já viu. Uma delas acabou afetando o Brasil na geração de empregos. Nós no passado, tivemos uma fábrica que foi fechada em Porto Alegre”, lembra.

Nesse sentido, a formação de um grupo de trabalho para discutir o assunto, anunciada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, é apoiada pela empresa que entende que, apesar de algumas questões estarem claras, há outras que têm que ser conhecidas de forma ainda mais profunda. “Estou feliz que o governo quer fazer alguma coisa, acho que é fundamental que o Brasil preserve essa fortaleza”.

ILEGALIDADE
Uma das medidas anunciadas pelo governo é a possível redução no Imposto sobre Produtos e Serviços (IPI) do cigarro que chega a 80% do valor do produto no Brasil. O Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) tem apontado a alta carga tributária imposta aos cigarros produzidos no País como um dos fatores determinantes para a alta movimentação de cigarros ilegais. No Paraguai, a principal entrada de produtos ilegais, o IPI é de apenas 18%. Ainda de acordo com o ETCO, a partir de pesquisa encomendada ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), a Receita Federal arrecadou R$ 11,4 bilhões no ano de 2018, sendo que a evasão fiscal foi de R$ 11,5 bilhões em função do mercado ilegal.

FOTO: Janine Nierdermeyer/Olá Jornal 

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